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A ORIGEM DO NOME DA CIDADE DE OURO PRETO

 



 No século XVIII, quando os bandeirantes chegaram à região que hoje conhecemos como Ouro Preto, acreditavam ter encontrado ouro escuro e de baixa qualidade devido à camada preta que cobria o metal.

 Chamaram o local de "Ouro Preto" como forma de desprezo, achando que era ouro de segunda categoria. Só depois descobriram que não era ouro preto - era ouro PURO coberto por uma camada de óxido de ferro.

 O que parecia ser defeito era na verdade sinal de altíssima pureza. A cidade manteve o nome equivocado e se tornou uma das mais ricas do Brasil colonial, produzindo toneladas do metal mais puro já extraído nas Américas.


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A DANÇA DA MENINA ROMA


 

1943 | Sobibor — A Dança da Menina Roma
Em 1943, no campo de extermínio de Sobibor, uma menina roma — não devia ter mais de quinze anos — foi colocada na fila que levava às câmaras de gás.
Seu vestido estava rasgado, os pés descalços e feridos, mas antes de seguir adiante, ela se virou para os outros e sussurrou:
> “Olhem.”
E então, começou a dançar.
Seus movimentos eram suaves, quase etéreos — um gesto impossível de beleza no meio do horror.
Braços abertos como asas, passos leves como vento sobre cinzas.
Não dançava para fugir, mas para afirmar o que ainda era seu: dignidade, identidade, vida.
Alguns prisioneiros choraram.
Outros, por um instante, tentaram acompanhá-la — um passo, um sopro, um último lampejo de liberdade.
Naquele breve momento, não eram vítimas.
Não eram números.
Eram humanos.
Um sobrevivente lembraria depois:
> “Ela dançou como se desafiasse a morte. E era exatamente isso.”
Seus rastros se apagaram na terra, mas o espírito da menina de Sobibor não desapareceu.
Permanece na memória e no testemunho, lembrando-nos que, mesmo diante do aniquilamento, a vida ainda pode escolher se erguer e dançar.

A IMPORTÂNCIA DO IODO NO SAL DE COZINHA



Até poucas gerações atrás, o **bócio endêmico** — aquele inchaço no pescoço causado por aumento da tireoide — era uma cena comum em regiões montanhosas da Europa, Ásia e América. A causa? A **deficiência de iodo no solo e na alimentação**.
A virada começou em **1811**, quando o químico francês **Bernard Courtois** isolou o iodo pela primeira vez a partir de algas marinhas. Pouco depois, em **1813**, o médico suíço **Jean-François Coindet** testou sais de iodo em pacientes com bócio e viu resultados rápidos. A conexão definitiva veio décadas mais tarde, com **Gaspard Adolphe Chatin**, que demonstrou cientificamente a relação entre a doença e a falta desse mineral essencial.
O verdadeiro salto de saúde pública ocorreu em **1922**, quando a **Suíça** introduziu o **sal iodado** — medida proposta pelo cirurgião **Hans Eggenberger** para combater o bócio e o cretinismo nas regiões alpinas. O sucesso foi imediato e inspirou outros países. Em **1924**, os **Estados Unidos** seguiram o exemplo, começando por Michigan.
No **Brasil**, a iodação do sal também se tornou obrigatória e ajudou a eliminar o bócio endêmico que antes era frequente em várias regiões.
Hoje, esse gesto simples — adicionar iodo ao sal — é considerado uma das **mais eficazes políticas de prevenção em saúde pública da história**, responsável por salvar milhões de pessoas de deficiências, atrasos cognitivos e doenças da tireoide.

A IMAGEM...



No domingo, 16 de julho de 1945, um grupo de meninas de apenas treze anos foi acampar nos Estados Unidos, nadando inocentemente em um rio perto de Ruidoso, no Novo México.
Na frente da foto, sorridente, estava Barbara Kent.

Elas não sabiam que, ali perto, o Projeto Manhattan havia acabado de detonar a primeira bomba nuclear da história — o Teste Trinity.

Anos depois, Barbara começou a ouvir notícias devastadoras: as meninas que dividiram com ela aquele verão estavam adoecendo, uma a uma.

Em 2021, já adulta, ela revelou:
“Quando cheguei aos 30 anos, eu era a única sobrevivente daquele acampamento.”

Barbara também enfrentou diversos cânceres ao longo da vida, incluindo câncer endometrial e múltiplos tipos de câncer de pele.


Fonte

COMO SURGIU O É PIC É PIC NA CANÇÃO DE PARABÉNS


 

É PIC É PIC É PIC .... VOCE SABIA DA ORIGEM DA SEGUNDA PARTE DO PARABENS A VOCE ?

"A canção mais famosa do mundo talvez seja a tradicional música do “Parabéns a você”, cantada em festas de crianças, jovens e adultos. Entretanto, enquanto a primeira parte da origem na canção “Good Morning to All” (“Bom dia a todos”), das irmãs e professoras norte-americanas Mildred J. Hill e Patty Hill em 1893, que resolveram compor uma canção para as crianças cantarem na entrada da escola, a segunda parte tem influência DIRETA do brasileiros e, mais especificamente, dos estudantes do Largo São Francisco.

Os trechos compostos por “é pique, é pique, é hora, é hora, é hora, rá-tim-bum”, é um amontoado de gírias e bordões dessa distinta universidade na década de 30. A parte “é pique, é pique”, é uma antiga saudação ao estudante Ubirajara Martins, que tinha o apelido de “pic pic”, já que vivia com uma tesoura aparando a barba e o bigode.

Segundo Hernâni Donato, Ubirajara era assim: ” Possuidor de uma barba imponente, ele levava consigo uma tesourinha, com a qual ficava aparando a barba que ostentava com orgulho. Ubirajara Martins costumava aparar sua barba, nas mesas do Ponto Chic, do qual era freqüentador. Os estudantes, por sua vez, ouviam o pique – pique da tesoura de Ubirajara e por gozação incluíram na canção o pique – pique e tesoura e ficou: É Pique, É Pique ! Meia hora, Meia hora ! É hora, é hora, é hora! Rajá timbum !”

Já o segundo trecho, composto por “é hora, é hora”, era praticamente um grito de guerra que cercava os bares ao redor da faculdade. Na época, por volta de 1930, os estudantes eram obrigados a aguardar meia hora por uma nova rodada de cerveja, afinal, era o tempo que demorava para gelar nas barras de gelo.
Quando o tempo chegava, os estudantes gritavam “É meia hora, é hora, é hora, é hora”. Grito que se mantém até os dias de hoje. O último trecho, e talvez o mais curioso, é o “Rá-tim-bum”, que se refere a um rajá indiano chamado Timbum que visitou a faculdade e acabou caindo nas graças dos estudantes devido à sonoridade de seu nome.

O amontoado de bordões ecoava nas mesas dos botecos, e em especial no restaurante Ponto Chic, com um formato um pouco diferente do que se conhece hoje: “Pic-pic, pic-pic; meia hora, é hora, é hora, é hora; rá, já, tim, bum”.
E Como Isso Se Transformou No Nosso “Parabéns”?

“Os estudantes costumavam ser convidados a animar e prestigiar festas de aniversário. E desfiavam seus hinos”, conta o ex-diretor da faculdade, Eduardo Marchi, que relembrou a curiosidade em seu discurso de posse, anos atrás".
(Foto e texto Tucuruvi Antiga).

HELENA DE TRÓIA

 



HELENA - O TRIUNFO TRÁGICO DE UM AMOR

Helena de Tróia é uma figura lendária da mitologia grega cuja história tem sido contada e recontada ao longo dos séculos. Ela é mais conhecida por sua associação com a Guerra de Troia, um dos eventos mais famosos da mitologia grega e um tema recorrente na literatura, na arte e na cultura popular.

De acordo com a mitologia grega, Helena nasceu de Zeus e Leda, esposa do rei de Esparta, Tíndaro. Seu nascimento é envolto em controvérsias e mistério, com algumas versões sugerindo que Zeus se transformou em um cisne para seduzir Leda. Helena era conhecida por sua extraordinária beleza, e sua história começa a se desdobrar quando ela é cortejada por muitos pretendentes.

O casamento de Helena com Menelau, rei de Esparta, é um dos eventos mais significativos de sua história. Menelau foi escolhido por Tíndaro como marido de Helena entre muitos pretendentes, e juntos eles reinaram em Esparta. No entanto, sua vida mudou drasticamente quando Paris, príncipe de Troia, a seduziu e a levou consigo de volta para Troia.

A fuga de Helena com Paris é frequentemente apontada como o catalisador para a Guerra de Troia, uma guerra que durou dez anos e foi travada entre os gregos (aqueus) e os troianos. A narrativa da guerra, sua causa e seus desdobramentos, são registradas principalmente na Ilíada, de Homero, uma das obras fundamentais da literatura ocidental.

A importância cultural de Helena de Tróia reside não apenas na sua influência sobre os eventos épicos da Guerra de Troia, mas também nas questões que sua história levanta. Sua figura é frequentemente usada como um símbolo da beleza e do desejo, mas também da traição e das consequências de ações impulsivas. Ela representa o conflito entre a lealdade familiar e o amor romântico, entre o dever e a paixão.

Além disso, Helena é frequentemente retratada como uma figura trágica, uma mulher cuja beleza e desejos a colocam em uma posição de grande poder, mas também de grande sofrimento. Sua história continua a inspirar obras literárias, teatrais, artísticas e cinematográficas, servindo como um lembrete atemporal das complexidades da condição humana e dos caprichos dos deuses na mitologia grega.

* trouxemos da Página "Estudos Históricos' (FB)


CRISTO REDENTOR: CURIOSIDADES




 1928: A cabeça do Cristo Redentor, no atelier do artista francês, Paul Landowski, que também esculpiu as duas mãos da estátua, que foram enviadas ao Brasil por navio.

O restante do monumento foi erguido no próprio local, em concreto, sobre uma estrutura de aço.

COMO SURGIU A CANÇÃO CARINHOSO



 

A letra de "Carinhoso", autoria de Braguinha (Carlos Alberto Ferreira Braga), é uma das maiores obras-primas de nossa música popular. O recurso utilizado por ele em um trecho complexo da belíssima linha melódica de Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho) "Vem, vem, vem, vem" (pois o tempo melódico não comportava mais do que monossílabos), é coisa de gênio. Dois mestres de nossa música popular respeitados e consagrados em todo o mundo. Quando Louis Armstrong, um dos maiores nomes do jazz dos Estados Unidos, esteve no Brasil, seu maior desejo foi conhecer Pixinguinha.


* Nota:


Pixinguinha fez a melodia de "Carinhoso", em 1917, mas acabou esquecendo-a, embora tenha gravado-a, no ano de 1926, em ritmo de polca por uma banda com um ritmo mais acelerado. Em 1936, a cantora Heloísa Helena pediu a Braguinha para por letra na melodia, pois queria cantá-la num recital do Palácio do Catete. Como o espetáculo seria alguns dias depois e ela precisava ensaiar a música, Braguinha fez a letra nessa mesma noite. A canção fez sucesso no recital e o então iniciante Orlando Silva gravou-a em um ritmo mais lento e com uma interpretação mais romântica, em um compasso de samba-canção. Foi um sucesso estrondoso da noite pro dia. Dessa época em diante, "Carinhoso" já teve mais de 300 regravações no Brasil e exterior. Sendo considerada nosso segundo Hino Nacional.

PS - Uma vez, vi Braguinha saltar de um táxi bem na minha frente, na Av. Rio Branco. Trajava um impecável terno de linho branco e usava uma bengala de marfim. Não perdi tempo, dirigi-me a ele e disse-lhe que era um prazer indescritível poder dar-lhe um abraço e apertar-lhe a mão. Eu era bem jovem, aí pelos meus 20 anos, ele ficou meio surpreso e falou: "O prazer é meu. Não sabia que eu ainda era lembrado pela juventude". Claro que sabia, conversamos um pouco e começou a juntar gente, ele sempre muito amável com todos. Depois de um tempo e de outros apertos de mão, entrou num edifício. Aquele dia nunca mais esqueci.


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O GAROTO QUE REVOLUCIONOU A AGRICULTURA




Em 1841, na ilha da Reunião, um jovem escravizado de apenas 12 anos, chamado Edmond Albius, transformou o mundo com duas ferramentas improváveis: sua curiosidade e seu polegar.
Os franceses haviam levado a planta da baunilha do México para as colônias no Oceano Índico. Mas enfrentavam um impasse: sem os insetos polinizadores nativos do México, as flores murchavam antes de produzir vagens. Agricultores e botânicos tentaram de tudo — e falharam.
Até que Edmond descobriu o impossível.
Com um pequeno galho ou um fio de capim, ele abriu o opérculo da flor e uniu manualmente as partes masculina e feminina. A polinização artificial funcionou. Era um gesto simples, rápido e genial — algo que os especialistas da época não conseguiram fazer.
A partir daí, a produção de baunilha explodiu. A ilha da Reunião virou centro de cultivo, seguida por Madagascar, que ainda hoje lidera o mercado mundial — usando o método criado por Edmond.
Mas para o garoto que revolucionou a agricultura, não houve glória. Nem dinheiro. Nem justiça. Edmond Albius morreu pobre e esquecido.
Hoje, lembramos seu nome.

Porque um menino escravizado, sem escola nem liberdade, revelou o segredo da orquídea-baunilha e deixou sua marca em cada sorvete, cada bolo, cada perfume. 


Fonte

COMO SURGIU A PALAVRA 'ENFEZADO'



 

Como surgiu a palavra ''ENFEZADO''
Um pouco de História:
A Cidade do Rio de Janeiro como conhecemos hoje é fruto de um processo de modificação que foi acontecendo ao logo do tempo. No século XIX, ela estava bem longe de ser chamada de cidade maravilhosa. Pessoas brutas, ruas esburacadas, sujas e esgoto fazia parte do cenário da pequena cidade do Rio de Janeiro.
No século XIX quem sofria bastante com esse cenário era os ''Tigres'', muita gente atravessava a rua quando cruzava com um deles. Muitos podem se assustar ao ouvir isso hoje em dia, mas na aquela época fazia parte do cotidiano, tigres não eram animais, eram africanos escravizados que faziam o serviço doméstico. Um dos trabalhos dos tigres era jogar dejetos dos seus senhores na Baia de Guanabara e nas Lagoas, existia até pontes de madeira exclusiva para isso. De tardinha os escravos saiam para jogar os dejetos com uma tina na cabeça cheia de fezes, às vezes escorriam pelos seus corpos, e suaS peles ficam manchadas, quando isso acontecia eles eram chamados de ''tigres'' devido às manchas. Algo bem pior acontecia com frequência, as tinas estouravam, o escravo ficava furioso, e muitos diziam: '' O escravo está enfezado''.
Revista "A Semana Ilustrada"
Ano de 1861.

A HISTÓRIA DA KOMBI...



 A história da Kombi começa com um homem chamado Ben Pon, um importador holandês da Volkswagen para a Holanda. Em 1947, durante uma visita à fábrica da VW em Wolfsburg, Alemanha, Pon notou um veículo peculiar que os trabalhadores usavam para transportar peças pesadas dentro da fábrica. Era um tipo de plataforma motorizada, construída sobre o chassi de um Fusca, mas com uma estrutura simples para transporte interno.

A visão de Pon foi crucial. Ele percebeu o potencial daquele conceito para um veículo de transporte comercial versátil. Em seu caderno, ele esboçou a ideia de um furgão com motor traseiro e um espaço de carga maximizado, aproveitando a plataforma do Fusca. Seus desenhos iniciais, embora rústicos, continham os elementos essenciais que mais tarde se tornariam a Kombi: uma carroceria em forma de caixa sobre um chassi existente.

Os esboços e a ideia de Ben Pon foram levados a sério pela Volkswagen, especialmente por Heinz Nordhoff, então diretor-geral da VW. Nordhoff viu o valor comercial na proposta de Pon e deu sinal verde para o desenvolvimento do veículo. A equipe de engenharia da Volkswagen, liderada por pessoas como Alfred Haesner (chefe de desenvolvimento técnico) e Gustav Mayer (chefe de design de carrocerias), foi responsável por transformar os esboços de Pon em um veículo real. Eles trabalharam para otimizar o design aerodinâmico, a distribuição de peso e a funcionalidade, mantendo a simplicidade e a robustez que caracterizavam os veículos da VW.




Portanto, embora Ben Pon seja amplamente creditado por ter tido a ideia inicial e por ter feito os primeiros esboços que inspiraram a Kombi, a concretização do projeto foi um esforço coletivo da equipe de engenharia e design da Volkswagen sob a liderança de Heinz Nordhoff. Foi essa combinação de visão, engenharia e um foco na utilidade que deu origem à VW Transporter, mais tarde carinhosamente apelidada de Kombi, um veículo que se tornaria um ícone global de versatilidade e liberdade.

A ORIGEM DA CAPOEIRA


A Origem na Capoeira, a arte marcial brasileira.

"Estudiosos e praticantes indagam constantemente a respeito das origens da capoeira, mas poucos conseguiram investigar sua formação para além das especulações disseminadas pelo senso comum.

A capoeira foi uma invenção do negro na África, onde existia como forma de dança ritualística. Escravos bantos levados de Angola para o Brasil trouxeram com eles um tipo caraterístico de luta corporal. A primeira documentação detalhada do final do século XVIII revela que essas práticas estavam associadas a homens escravizados. No século XVII, era costume dos povos pastores do sul da atual Angola, na África, comemorar a iniciação dos jovens à vida adulta com uma cerimônia chamada n'golo (que significa "zebra" em quimbundo).

Durante a cerimônia, os homens competiam numa luta animada pelo toque de atabaques em que ganhava quem conseguisse encostar o pé na cabeça do adversário. O vencedor tinha o direito de escolher, sem ter de pagar o dote, uma noiva entre as jovens que estavam sendo iniciadas à vida adulta. Com a chegada dos portugueses e a escravização dos povos africanos, esta luta terá sido introduzida no Brasil.

O N'golo ocorria durante a “Efundula” (festa da puberdade), onde os adolescentes formavam uma roda; com uma dupla ao cetro desferindo coices e cabeçadas um no outro, até que um era derrubado no solo, essa luta é oriunda das observações dos negros, dos machos das zebras nas disputas das fêmeas, no período do cio, onde os machos lutam com mordidas, cabeçadas e coices.

A teoria mais aceita é a de que a palavra deriva do tupi-guarani "kapu'era", que significa "mato que já foi", "mata rasa" ou "mata roçada", referindo-se às áreas de vegetação rala ou cortada onde os escravos fugidos e os indígenas se escondiam e praticavam a capoeira. O termo acabou ganhando igualmente uso pejorativo, documentado já em 1824, significando vadio, malandro ou malfeitor, caraterísticas que se atribuíam aos indivíduos destros nesse tipo de luta.

Temos agora uma idéia de como nasceu a capoeira: mistura de diversas lutas, danças, rituais e instrumentos musicais vindos de várias partes da África. Mistura realizada em solo brasileiro.

Formas muito semelhantes à capoeira, tanto em gestos quanto em ritmos, são conhecidas e praticadas na maioria dos países afetados pela colonização e pelo tráfico de escravos . Moring em Mayotte , Madagascar e Reunião , ladja (ou danmye, ag'ya) na Martinica e Guadalupe , maní em Cuba , pingue no Haiti , susa no Suriname , etc

Já existiam registros da prática da capoeira nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro e Recife desde o século XVIII, mas o grande aumento do número de escravos urbanos e da própria vida social nas cidades brasileiras deu à capoeira maior facilidade de difusão e maior notoriedade. No Rio de Janeiro, as aventuras dos capoeiristas eram de tal jeito que o governo, através da portarias como a de 31 de outubro de 1821, estabeleceu castigos corporais severos e outras medidas de repressão à prática de capoeira.

A capoeira também se assemelha muito, inclusive em seus rituais (a roda em torno dos lutadores, a orquestra, os instrumentos musicais tocados, etc.), à dança do leopardo praticada na África Ocidental pela sociedade secreta Poro e mais precisamente entre os Senoufos (atuais Costa do Marfim, Burkina, Mali, etc.) onde é chamada de Boloye .

Outra fonte afirma que o termo capoeira só mais tarde passou a descrever uma forma de luta popularmente chamada Brincadeira de Angola (jogo ou diversão de Angola), mantida em segredo durante a escravidão e que treinava escravos livres na arte do combate.

Outros acreditam que ela é completamente brasileira, pois nasceu em território brasileiro, embora seus criadores fossem escravos vindos da África.

Cartas do Jesuíta Antonio Gonçalves para os superiores de Lisboa, em 1735, descreve um luta que os índios praticavam antes de qualquer conflito, em forma de roda dois a dois usando os braços, pernas, cotoveladas, joelhadas, e usando todo corpo como armas (convento de Santo Inácio de Loyola, anais das missões no Brasil. Tomo III pág. 128).

O escritor Holandês Gaspar Barleus descreve no livro “Rerum Per Octenium in Brasília-1647, a luta dos índios tupis praticada no litoral brasileiro” chamado de Maraná, luta de guerra.

Com base no nome capoeira ser de origem tupi-guarani, (mato ralo que foi cortado) e que toda cultura África tem os seus nomes em idiomas africanos, como também as danças indígenas brasileiras são de forma de passadas idêntica a ginga da capoeira com “pé para frente e pé para traz”. “As lutas africanas são movimentadas lateralmente ou em formas de pulos altos, e só viram de frente na hora de dar cabeçadas contra o peito do outro que desejam derrubar, acontece-lhes chocarem-se fortemente cabeça contra cabeça, o que faz com que a brincadeira não raro degenere em briga e que as facas entrem em jogo ensanguentando-a.

Guilherme de Almeida, no livro música do Brasil, sustenta serem indígenas as raízes da capoeira; o Navegador Português Martins Afonso de Souza, observou tribos jogando capoeira.

Observando várias dúvidas dos folcloristas, pesquisadores e historiadores, provavelmente a Capoeira é a Fusão do N”Golo, trazida da África e o Maraná, existente no Brasil antes do Descobrimento."

Imagem: "Negros lutando, Brasil" (Negroes Fighting, Brazil) do artista Augustus Earle, datada de 1822, é uma das primeiras e mais importantes representações visuais da capoeira

Fonte: HISTÓRIA DA CAPOEIRA. Adriana Raquel Ritter Fontoura