Antonieta de Barros partiu em um 28 de março, no outono de 1952, mas a estrutura que ela ergueu em Florianópolis permanece como o alicerce da educação catarinense. Filha de Catarina, uma lavadeira que transformou a própria casa em pensão para financiar os livros das filhas, Antonieta não herdou privilégios, mas sim a convicção de que o letramento era a única alforria definitiva em um Brasil pós-abolição.
Diplomada pela Escola Normal em 1921, ela compreendeu que a sala de aula era um espaço de disputa política. Ao fundar seu próprio curso de alfabetização, Antonieta focou naqueles que a elite ignorava: adultos e trabalhadores marginalizados. Sua pedagogia não era apenas técnica, era um projeto de emancipação civil.
Paralelamente ao giz, ela empunhou a pena. Sob o pseudônimo de Maria da Ilha, Antonieta ocupou as redações de jornais como O Estado e A Semana, onde fundiu erudição e denúncia. Suas crônicas eram o termômetro de uma sociedade que resistia à presença de uma mulher negra no debate intelectual, mas que não conseguia ignorar a lucidez de seus argumentos sobre os direitos femininos e a urgência do ensino público.
Em 1934, Antonieta de Barros transpôs a barreira do Legislativo. Eleita deputada estadual, ela não apenas ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina; ela a utilizou para legislar em favor do magistério. É de sua autoria a lei que instituiu o Dia do Professor (15 de outubro) no estado, um reconhecimento que, anos depois, ganharia escala nacional.
Hoje, a lembrança de sua morte nos convoca ao rigor de sua memória. Antonieta de Barros deixou um legado de fidalguia intelectual e coragem institucional, provando que a política e a educação são, em última análise, o mesmo exercício de liberdade.
Foto: reprodução

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